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19/04/2010 - 15h15
OAB promove audiência pública sobre Ações Afirmativas
Vereadora Rosangela defende a universalização da educação
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Assessoria de Comunicação
Impulsionada pela polêmica e corrente questão sobre as Ações Afirmativas, que está tendo repercussão nacional com a ação judicial movida pelo DEM contra o sistema de cotas na Universidade de Brasília (UnB) e à nível local com a mobilização encabeçada pelas insitituições privadas de ensino contra as mesmas e até mesmo questionamentos de âmbito judicial, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Sergipe promoveu uma audiência pública nessa manhã, 19 de Abril, para discutir esse tema.
 
O espaço foi cedido com o intuito de englobar toda a sociedade civil e seus segmentos para que fosse gerado um debate em torno dessa questão. Representantes do Estado, do município, do ministério, dos professores de ensino público e privado, do movimento negro, dos estudantes, dos proprietários das redes de ensino particular, todos compuseram o plenário, que ocorreu no antigo prédio da OAB.
 
Havia duas linhas de pensamento dentro do debate: uma era guiada pelos dirigentes da rede privada de ensino e que era contrária às ações afirmativas e a outra constituída por diversos outros segmentos da sociedade que aprova com louvor as medidas das cotas sociais, raciais e econômicas.
 
Sabe-se que a Universidade Federal de Sergipe (UFS) mesmo antes das cotas, possuía uma taxa semelhante de alunos egressos do ensino privado e público, o grande diferencial se encontrava nos cursos considerados de maior prestígio, onde havia uma acentuada diferença quanto às classes sociais. Cursos como Medicina, Direito e Odontologia, eram monopólio das escolas privadas, sustentáculos da classe média e alta da sociedade, que tentam se preservar através de um discurso contraditório e elitista. Agora, com o sistema de cotas, temos um aluno de medicina, filho de padeiro, do povoado de Alagadiço em Frei Paulo. Não seria um avanço dentro da luta pelos direitos de igualdade entre as mais diversas condições sócio-econômico-históricas?
 
Como não deixaria de ser, a vereadora Rosangela Santana (PT) se pronunciou e inflamou o "coração" dos presentes com o seu discurso apaixonado a favor das ações afirmativas. Ela, que é mulher  e negra de origem humilde, sabe mais do que ninguém as dificuldades de se conviver em um mundo de desigualdades. Questionou o atual modelo de ensino, seu fomento indiscriminado por altos índices no vestibular e até mesmo a sua falta de solidariedade, evidenciado no próprio plenário pelo pronunciamento de estudantes da rede privada contra as cotas. Segundo a vereadora, fez com que os jovens se voltassem contra os próprios jovens. De acordo com a parlamentar, não é o ensino público que é uma mazela para a sociedade, mas, o ensino particular, e defendeu a universalização do ensino. "A educação é um direito inalienável de todo o cidadão e deveria ser gratuita para todos."
 
À partir da implantação do sistema de cotas, a tendência é que o Estado rediscuta a sua participação no setor educacional do país. Devemos ter consciência sim, de que as cotas não são o modelo ideal para o avanço das lutas por igualdade e equidade de direitos. Mas, dentro do atual panorama político, em processo de transformação, da sociedade brasileira, o sistema de cotas se apresentou como uma medida que fará com que setores excluídos possam ter uma oportunidade, um lugar, dentro dos espaços que há muito são ditos "para todos".  O problema real é óbvio, a falta de estrutura na educação pública brasileira. Mas, até quando o filho do padeiro iria esperar?
FONTE: Assessoria de Comunicação

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